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Orthodoxy

Orthodoxy

by G.K. Chesterton
This book is meant to be a companion to "Heretics," and to put the positive side in addition to the negative. Many critics complained of the book because it merely criticised current philosophies without offering any alternative philosophy. This book is an attempt to answer the challenge. It is the purpose of the writer to attempt an explanation, not of whether the Christian Faith can be believed, but of how he personally has come to believe it. The book is therefore arranged upon the positive principle of a riddle and its answer. It deals first with all the writer's own solitary and sincere speculations and then with the startling style in which they were all suddenly satisfied by the Christian Theology. The writer regards it as amounting to a convincing creed. But if it is not that it is at least a repeated and surprising coincidence.
Paperback, 168 pages

Published July 30th 2008 by Waking Lion Press (first published 1908)

Book Quotes
A humildade [na era moderna] está no lugar errado. A modéstia afastou-se do órgão da ambição e estabeleceu-se no órgão da convicção, onde nunca deveria estar. [Antes] O homem podia duvidar de si, mas não duvidava da verdade. Hoje, a parte de um homem que esse mesmo homem afirma é precisamente aquela que ele não deveria afirmar: a sua própria pessoa; a parte da qual ele duvida é exatamente aquela de que não deveria duvidar: a Divina Razão. [...] O novo cético é tão humilde que duvida até de ser capaz de aprender. [...] A velha humildade era uma espora que impedia o homem de parar; agora, é um prego no sapato que o impede de continuar a andar. A velha humildade fazia com que um homem duvidasse de seus esforços, e isso dava-lhe ânimo para trabalhar com mais afinco; a nova humildade faz com que o homem duvide dos seus objetivos, e isso o obriga a parar com o seu trabalho. Em qualquer esquina, podemos encontrar alguém a bradar a frenética e blasfema afirmação de que pode estar enganado. Todos os dias cruzamos com alguém que nos diz que seu modo de ver as coisas pode não ser acertado. Ora, o seu modo de ver deve estar certo, sob pena de não ser o seu modo de ver. Estamos às vésperas de produzir uma raça de homens tão mentalmente modestos que não acreditam na tabuada de multiplicação. Corremos o risco de ver filósofos que duvidam da lei da gravidade, julgando tratar-se de mais uma das suas fantasias. [...] Os mansos herdarão a Terra, mas os céticos de hoje são mansos demais para reclamarem a sua herança.
Verifiquei que o constante desdém de meus agnósticos mestres em relação ao Cristianismo era por ser ele a luz de um povo, enquanto deixava todos os outros morrerem nas trevas. No entanto, pude também observar que era para eles motivo especial de orgulho o fato de serem a ciência e o progresso a descoberta de um povo, enquanto todos os outros povos jaziam na escuridão. O seu principal insulto contra o Cristianismo era, efetivamente para eles, seu motivo de glória. Podíamos acreditar na ética de Epiteto porque a ética nunca tinha mudado, mas não devíamos acreditar na ética [cristã] de Bossuet porque a ética tinha mudado. Tudo isso começava a parecer alarmante. Não que o Cristianismo fosse suficientemente mau para agregar em si todos os defeitos, mas qualquer vara era suficientemente boa para açoitar a religião cristã. Alguns céticos escreveram que o grande crime do Cristianismo fora o seu ataque contra a família. O Cristianismo arrastava as mulheres para a solidão e para a vida contemplativa de um mosteiro, longe de seus lares e de seus filhos. Mas, logo, outros céticos vinham dizer que o grande crime do Cristianismo era forçar-nos ao casamento e à constituição da família, condenando as mulheres ao duro trabalho do lar e dos filhos, proibindo-lhes a solidão e a vida meditativa. As acusações eram, na verdade, contraditórias. Dizia-se, ainda, que algumas palavras das Epístolas ou do Rito do Matrimônio revelavam desprezo pelo intelecto das mulheres. No entanto, concluí que os próprios anticristãos sentiam desprezo pelo intelecto das mulheres, porque seu grande desdém pela Igreja no continente era devido ao fato de afirmarem que 'só as mulheres' a frequentavam. Outras vezes, o Cristianismo era censurado por seus trajes indigentes e pobres, por seu burel e suas ervilhas secas. Entretanto, no momento seguinte, o Cristianismo era censurado por sua pompa e ritualismo, seus relicários de pórfiro e suas vestes de ouro. Acusavam-no por ser demasiadamente humilde e por ser demasiadamente pomposo. O Cristianismo era acusado, ainda, de ter sempre reprimido em extremo a sexualidade, quando o malthusiano Bradlaugh descobrira que a religião cristã a reprimia muito pouco. De um só fôlego, lançavam-lhe ao rosto uma recatada respeitabilidade e uma religiosa extravagância. [...] Eu desejava ser absolutamente imparcial, como ainda o desejo ser agora, e não concluí que o ataque ao Cristianismo fosse de todo injusto. Concluí apenas que, se o Cristianismo estava errado, estava, sem dúvida, muito errado. Tão hostis terrores poderiam ser combinados em uma só coisa, mas tal coisa devia ser bem estranha e única. Há homens que são avarentos e, ao mesmo tempo, perdulários; porém, são raros. Há também homens lascivos e, ao mesmo tempo, ascetas, mas estes também são raros. Mas, se esta amálgama de loucas contradições realmente existisse, pacifista e sanguinário, suntuoso e maltrapilho, austero e lascivo, inimigo das mulheres e seu tolo refúgio, pessimista declarado e otimista ingênuo, se este mal existisse, então haveria nele algo de supremo e único. De fato, não encontrei nos meus mestres racionalistas explicação alguma para tão excepcional corrupção. O Cristianismo (teoricamente falando) era, a seus olhos, apenas um dos mitos ordinários e um dos erros dos mortais. Eles não me davam a chave para esta retorcida e desnatural maldade. Esse mal assumia as proporções do sobrenatural. Era, sem dúvida, tão sobrenatural quanto a infalibilidade do papa. Uma instituição histórica que nunca se mostrou acertada é um milagre tão grande quanto uma instituição que nunca pode errar. A única explicação que me ocorreu foi a de que o Cristianismo não viera do Céu, mas do Inferno. Na verdade, se Jesus de Nazaré não fosse Cristo, devia ter sido o anticristo.
Mais tarde, numa hora de calma, um novo e estranho pensamento fulminou-me o espírito como um raio e, subitamente, veio-me à mente outra explicação. Suponhamos que várias pessoas estejam falando de um homem desconhecido. Suponhamos ainda que fiquemos surpresos ao ouvir algumas dessas pessoas dizerem que tal homem é demasiadamente alto, enquanto outros afirmam ser ele muito baixo; uns censuram sua excessiva gordura, e outros criticam-nos pela sua magreza; uns julgam-no sombrio e circunspecto, ao passo que outros julgam-no extrovertido. Uma explicação possível, já cogitada: talvez esse homem tivesse uma compleição deveras estranha; há, porém, outra maneira de explicar o caso. Talvez ele não tivesse nada de estranho. Os homens excessivamente altos consideravam-no baixo; os homens muito baixos consideravam-no alto. Os velhos mercadores, que frequentemente engordam, achá-lo-iam magro, ao passo que os esbeltos achá-lo-iam tão gordo a ponto de ultrapassar os estreitos limites da elegância. Talvez os suecos o chamassem de moreno, enquanto os negros o julgariam loiro. Talvez, resumindo, o que era considerado extraordinário não passasse de uma coisa comum; pelo menos normal, o centro. Talvez, depois de tudo, o Cristianismo é que fosse o são, e os seus críticos, os loucos – de diversas maneiras. Tentei, então, investigar a exatidão dessa ideia, perguntando a mim mesmo se haveria, à volta de qualquer dos acusadores, algo de mórbido que pudesse justificar essa acusação. Fiquei espantado ao constatar que a chave ajustava-se perfeitamente à fechadura. Por exemplo, era de fato estranho que o mundo moderno acusasse o Cristianismo por ter austeridade com o corpo e, ao mesmo tempo, por ter refinamento artístico. Também era estranho, muito estranho mesmo, que o próprio mundo moderno procurasse conciliar a excessiva luxúria carnal com a excessiva ausência de refinamento artístico. O homem moderno considerava demasiadamente ricas as vestes de [São Tomás] Becket e demasiadamente pobres as suas refeições. Mas, neste caso, o homem moderno seria, realmente, uma exceção na História: nenhum homem tinha, anteriormente, degustado tão lautos jantares, vestindo roupas tão feias. O homem moderno considerava a Igreja demasiadamente simples, exatamente porque a vida moderna é demasiadamente complexa; ele julga a Igreja demasiadamente faustosa, porque a vida moderna é tão destituída de brilho. [...] Analisei todos os casos e verifiquei que a chave continuava a ajustar-se perfeitamente. O fato de Swinburne irritar-se com a infelicidade e, ainda mais, com a felicidade dos cristãos era facilmente explicável. [...] As restrições dos cristãos entristeciam-no só porque ele era mais hedonista do que deve ser um homem saudável. A fé dos cristãos enfurecia-o, porque ele era mais pessimista do que um homem saudável deve ser. Da mesma forma, os malthusianos atacavam, instintivamente, o Cristianismo, não porque haja qualquer coisa especialmente antimalthusiana no Cristianismo, mas porque há alguma coisa um pouco anti-humana no Malthusianismo.

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