“Ocupar-me-ei do primeiro argumento citado: a ideia de que o Cristianismo pertence à idade das trevas. Quanto a esse ponto, não me satisfaz ler as modernas generalizações: li um pouco de História. E, pela História, verifiquei que o Cristianismo, longe de pertencer à idade das trevas, era o único caminho, através da idade das trevas, que não era sombrio. Era uma ponte brilhante que ligava duas civilizações também brilhantes. Se alguém disser que a Fé nasceu na ignorância e na selvageria, a resposta é simples: não nasceu. Nasceu na civilização do Mediterrâneo, em pleno verão do Império Romano. O Mundo estava repleto de céticos, e o panteísmo era tão claro como o Sol, quando Constantino pregou a cruz ao mastro. É inteiramente verdade que, depois, o navio naufragou: mas é ainda mais extraordinário que o mesmo navio voltou a aparecer novamente, pintado de novo, reluzente e com a cruz ainda no topo do mastro. Esta é a admirável coisa que a religião realizou: converteu um navio naufragado num submarino. A arca viveu sob o peso das águas: depois de termos estado sepultados debaixo dos destroços de dinastias e clãs, levantamo-nos e lembramo-nos de Roma. Se a nossa fé tivesse sido um simples capricho de um império que se desmoronava, esse capricho teria tido, também, o seu crepúsculo, e, se a civilização emergisse de novo à superfície (e muitas delas não emergiram mais!), teria sido sob algum novo pendão bárbaro. Mas a Igreja cristã foi a última vida de uma sociedade velha e foi também a primeira vida de uma sociedade nova. Pegou um povo que estava se esquecendo de como se construía um arco e ensinou-o a inventar o arco gótico. Numa palavra: a coisa mais absurda que se pode dizer da Igreja é aquela que todos temos ouvido dizer a seu respeito. Como se pode afirmar que a Igreja pretende arrastar-nos para a idade das trevas? A Igreja foi a única coisa que sempre procurou libertar-nos dela.”
Gilbert Keith Chesterton was one of the most influential English writers of the 20th century. His prolific and diverse output included journalism, philosophy, poetry, biography, Christian apologetics, fantasy and detective fiction.
Chesterton has been called the "prince of paradox". Time magazine, in a review of a biography of Chesterton, observed of his writing style: "Whenever possible Chesterton made his points with popular sayings, proverbs, allegories—first carefully turning them inside out.