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G.K. Chesterton
Só a religião cristã poderá oferecer uma razoável objeção a uma confiança absoluta nos ricos. Desde o princípio, ela sustentou que o perigo estava não no ambiente que cerca o homem, mas no próprio homem. E mais ainda: a religião cristã tem afirmado que, em se tratando de ambientes perigosos, o mais perigoso de todos será aquele que mais comodidades tenha a oferecer. Sei que a indústria moderna está tentando fabricar uma agulha enorme e também sei que os mais recente biólogos estão empenhados em produzir um camelo minúsculo. Mas, se reduzirmos ao mínimo o tamanho do camelo ou se aumentarmos ao máximo o buraco da agulha, ou se, em resumo, quisermos nos convencer de que as palavras de Cristo significam o mínimo que podem significar, ainda assim temos de reconhecer que essas palavras significam, ao menos, isto: os ricos não são, moralmente, merecedores de confiança. O Cristianismo, mesmo quando diluído em água, ainda permanece suficientemente quente para fazer ferver toda a sociedade moderna, reduzindo-a a farrapos. O simples 'minimum' da Igreja seria um 'ultimatum' mortal para o Mundo, pois todo o Mundo moderno baseia-se na suposição não de que os ricos são necessários (o que é sustentável), mas de que os ricos não são dignos de confiança. [...] O ponto principal para o Cristianismo é que o homem que depende do luxo e do prazer desta vida é um homem corrupto: espiritual, política e financeiramente corrupto. Há uma coisa que foi dita por Cristo e que tem sido repetida com uma espécie de monotonia selvagem por todos os santos cristãos: ser rico é estar em particular perigo de naufrágio moral.
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