“Surgiu a ideia extraordinária de que aqueles que não creem em milagres os consideram fria e imparcialmente, ao passo que aqueles que neles creem aceitam-nos apenas em ligação com algum dogma. Ora, a situação é completamente diferente. Os que acreditam em milagres aceitam-nos porque têm provas para isso; os que não acreditam em milagres negam-nos porque professam uma doutrina contra eles. A coisa mais clara, mais óbvia e mais democrática é acreditar numa pobre vendedora de maçãs que se diz testemunha de um milagre, exatamente como se acredita nela quando se apresenta como testemunha de um homicídio. A tendência natural é acreditarmos na palavra de um camponês quando nos fala sobre um fantasma, da mesma maneira como acreditamos em sua palavra quando nos fala a respeito de seu senhorio. Por ser um camponês, ele provavelmente terá uma boa dose de saudável agnosticismo sobre ambos os assuntos. Ainda assim, poderíeis encher o British Museum com provas apresentadas pelo camponês e dadas a favor do fantasma. Quando se trata do testemunho humano, há uma enxurrada deles a favor do sobrenatural. Se o rejeitardes, isso significará apenas uma destas duas coisas: se rejeitardes a história do camponês sobre o fantasma, ou é por ser ele um camponês ou por se tratar de uma história de fantasmas. Quer dizer: ou negais o princípio essencial da democracia, ou afirmais o princípio essencial do materialismo - a abstrata impossibilidade do milagre. Tendes o direito de assim o fazer, mas neste caso vós é que sois o dogmático. Somos nós, os cristãos, que aceitamos toda a evidência real e sois vós, os racionalistas, aqueles que se recusam a aceitar a evidência real, porque a tal sois constrangidos por vosso credo. Eu, porém, não me vejo constrangido por nenhum credo sobre tal assunto, mas ao olhar imparcialmente para certos milagres dos tempos medievais e dos tempos modernos, cheguei à conclusão de que eles, de fato, ocorreram.”
Gilbert Keith Chesterton was one of the most influential English writers of the 20th century. His prolific and diverse output included journalism, philosophy, poetry, biography, Christian apologetics, fantasy and detective fiction.
Chesterton has been called the "prince of paradox". Time magazine, in a review of a biography of Chesterton, observed of his writing style: "Whenever possible Chesterton made his points with popular sayings, proverbs, allegories—first carefully turning them inside out.